Kit e metodo para deteccao de agrotoxicos contaminantes

 

Em 1948 o químico suíço Paul Muller ganhava um prêmio Nobel de Medicina. Sua descoberta: a utilidade do DDT enquanto inseticida, além de sua eficácia contra o tifo e a malária. Rotulado como um produto eficiente e de baixo custo, o sucesso do DDT foi, em grande parte, responsável pela popularização dos agrotóxicos após a Segunda Guerra Mundial, época em que seus efeitos nocivos ainda não haviam sido devidamente pesquisados. De lá para cá, uma infinidade de novos compostos organossintéticos foram descobertos.

O vasto aumento observado na produção agrícola durante as décadas de 1960 e 1970 nos países em desenvolvimento por conta do uso destes insumos químicos, somados a outras ferramentas tecnológicas, ficou conhecido como a "revolução verde". Uma das formas de avaliar a eficiência deste modelo de agricultura era mensurar o número de pessoas que um agricultor seria capaz de alimentar, além de si próprio. Em 1950, esta relação era de 1 para 10. No início dos anos 1990, já era superada a marca de 1 para 70. Deste modo, a principal bandeira da utilização dos agrotóxicos foi um aumento sem precedentes da oferta de alimentos, ainda que fatores como o melhoramento genético das plantas e a crescente mecanização no campo também devam ser levados em conta.

Este aumento da produtividade muito serviu para camuflar os efeitos da degradação do solo em função do uso de agrotóxicos na agricultura moderna, desviando os olhares críticos e retardando a introdução de práticas ecologicamente mais adequadas. Mascararam-se assim outros impactos negativos deste modelo, em especial os danos associados à saúde dos trabalhadores rurais, que podem ser afetados pela manipulação direta ou por meio de armazenamento inadequado, reaproveitamento de embalagens, roupas contaminadas ou contaminação da água.

Recentemente, uma decisão inédita da Justiça americana condenou a multinacional de agricultura e biotecnologia Monsanto a indenizar o jardineiro Dewayne Johnson em US$ 289 milhões pelo aparecimento de um câncer, que estaria relacionado ao uso do herbicida Roundup, que tem como princípio ativo o controverso glifosato. A empresa, adquirida recentemente pela gigante Bayer por US$ 63 bilhões, é alvo de mais de cinco mil processos semelhantes.

No Brasil, uma decisão da 7ª Vara da Justiça Federal em Brasília determinou a suspensão do registro de todos os produtos com o ingrediente até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua os procedimentos de reavaliação toxicológica. Tais questões ganham dimensões especiais por aqui, já que o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos desde 2008. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados 13.982 casos de intoxicação ano passado, aumento de 12% em relação ao ano anterior.

Para se ter ideia de como nossa legislação é complacente em relação ao assunto, no Brasil, a quantidade residual de glifosato permitida no café é 10 vezes maior do que aquela permitida na União Europeia. Na cana-de-açúcar, é 20 vezes maior. Na soja, 200 vezes maior. No feijão, 400 vezes maior. Já na água potável, o limite aqui permitido é 5000 vezes maior que na Europa. E isto levando-se em consideração apenas o glifosato. Mas, no Brasil, para o cultivo de café, por exemplo, são permitidos 121 diferentes agrotóxicos (30 dos quais são proibidos pela União Europeia). Quanto à soja, a legislação permite o uso de 150 agrotóxicos (inclusive 35 proibidos pela UE). Os dados são do livro Geografia do uso do agrotóxico no Brasil e conexões com a União Europeia, da pesquisadora Larissa Bombardi, do Laboratório de Geografia Agrária da USP.

Refletindo sobre esta assimetria, a própria autora levanta a pergunta: "Com qual parâmetro se estabele que a quantidade de resíduo tolerável à saúde humana em um país possa ser 250 ou 400 vezes maior do que em outros?". A conclusão à qual chega é a de que existe "uma parcela da humanidade que literalmente, no cotidiano de suas vidas, vale menos, está alijada do Direito Humano mais essencial que é o próprio direito á vida".

Monitoramento e detecção de agrotóxicos contaminantes no meio ambiente

A detecção da presença de agrotóxicos se faz necessária em casos como o da certificação de produtores orgânicos, na busca por pesticidas com utilização proibida ou restrita em lavouras e no acompanhamento dos níveis de pesticidas como fator de determinação da qualidade do solo, por exemplo.

Tendo este cenário em vista, um grupo de professores da UFRJ desenvolveu um novo método que permite a detecção e a quantificação da concentração de agrotóxicos contaminantes em amostras ambientais. Além do método em si, a pesquisa também culminou com a elaboração de um kit que possibilita tal análise.

De acordo com os inventores, já existiam outros protocolos de detecção de agrotóxicos no solo. Contudo, os métodos mais antigos apresentam como revés o fato de serem muito demorados e demandarem grandes quantidades de solventes orgânicos e outros equipamentos de alto valor de aquisição. Alguns, inclusive, por fazerem uso de solventes como a soda cáustica, por exemplo, acabam produzindo danosos rejeitos ambientais.

Reconhecendo o potencial da invenção, a Agência UFRJ de Inovação requereu a respectiva proteção intelectual junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão que expediu recentemente a patente deste invento. Atualmente o núcleo de inovação tecnológica da UFRJ está em busca de parcerias para viabilizar a inserção desta nova tecnologia em nossa cadeia produtiva.

Veja mais detalhes na carta patente.

 

 

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