armadilhaparaaedes2018

 

O secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Luiz Antônio Teixeira Júnior, fez um apelo, no último dia 16 de janeiro, para que a população procure os postos de saúde para se vacinar contra a febre amarela. O estado confirmou já confirmou quatro casos da doença neste ano, com três óbitos.

“A gente conclama a população que venha buscar a vacina para estarmos protegidos em todo o nosso estado”, disse o secretário, após a apresentação de ações para aprimorar o programa de residência médica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Por recomendação e autorização da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde adotou uma medida preventiva de realizar a campanha de vacinação com doses fracionadas. A estratégia foi adotada para assegurar imunização a cerca de 20 milhões de pessoas das localidades que são contíguas a regiões onde o vírus circula.

A preocupação tem fundamento. A febre amarela é uma doença sazonal que se intensifica nos períodos de calor e chuva, condições favoráveis para o crescimento da população de mosquitos transmissores.

No início do ano passado, o país teve o pior surto de febre amarela registrado nos últimos dez anos. Diversos casos de óbitos foram relatados, principalmente na região de Minas Gerais.

Apesar dos recentes registros estarem relacionados à febre amarela silvestre, transmitida pelo mosquito Haemagogus, a preocupação maior é com a reincidência da febre amarela urbana. Na prática, trata-se da mesma doença, mas com transmissão a partir de vetores urbanos, mais especificamente o Aedes aegypti, exatamente como acontece com a dengue, zika, chikungunya e até mesmo com a ainda pouco conhecida febre mayaro. Vale ressaltar que a febre amarela urbana não é registrada oficialmente no Brasil desde 1942, e sua volta representaria um duro golpe na Saúde Pública Brasileira.

Foi com este cenário em vista que um grupo de pesquisadores da UFRJ uniu esforços para buscar uma solução mais eficiente para o combate ao Aedes aegypti. Neste sentido, a invenção elaborada pelos professores Ivo Carlos Correa (Departamento de Prótese e Materiais Dentários da Faculdade de Odontologia), Mônica Ferreira Moreira (Laboratório de Bioquímica e Biologia Molecular de Vetores, do Instituto de Química) e Edimilson Migowski (Departamento de Pediatria, da Faculdade de Medicina) em conjunto com Tiago Salles (doutorando em Bioquímica) se mostra uma tecnologia extremamente promissora. Culminando em um pedido de patente realizado através da Agência UFRJ de Inovação, a invenção se trata de um dispositivo capaz de atrair, capturar e exterminar o mosquito Aedes aegypti, principalmente as fêmeas da espécie.

Conforme explica a professora Mônica Moreira, a armadilha desenvolvida pelos inventores tem como diferencial o fato de ser destinada especificamente ao mosquito Aedes. “Os outros produtos que já existem no mercado, especialmente os que fazem uso de luz ultravioleta ou branca, são voltados para insetos em geral. Acontece que os odores dos outros insetos acabam dificultando a captura do Aedes aegypti. E ao reconhecer estes odores, o Aedes simplesmente evita estes produtos já existentes”, explica. A professora também chama a atenção para outro detalhe importante: “É a fêmea do Aedes que é o vetor das doenças”.

É justamente aí que a engenhosa invenção desenvolvida na UFRJ se destaca. Baseada na emissão de luz LED em comprimentos de ondas específicos entre o azul e o amarelo e com pico na cor verde, a armadilha sensibiliza a retina da fêmea do mosquito para atraí-la e, em seguida, capturá-la através de um sistema de sucção reversa. Finalmente, o inseto é empurrado em direção a uma grade que emite uma descarga elétrica de baixa voltagem, causando a morte do mosquito.

A tecnologia ainda apresenta o benefício de agir também sobre os mosquitos resistentes a inseticidas químicos, além de se enquadrar na concepção de tecnologia limpa, não causando qualquer tipo de poluição ambiental. “Por não empregar inseticida ou qualquer produto químico, a invenção é considerada amigável ao meio ambiente e, por isso, pode ser usada em locais abertos ou fechados, frequentados por adultos, crianças ou recém-nascidos”, comentam os inventores.

Para se ter uma ideia, testes laboratoriais realizados na UFRJ demonstraram que durante um período de 24 horas, enquanto armadilhas para insetos que fazem uso de luz branca são capazes de matar de três a cinco em cada 20 mosquitos, a nova armadilha com luz LED foi capaz de eliminar de 16 a 19. Ou seja, ela mostrou ser praticamente cinco vezes mais eficiente.

O professor Ivo Carlos Correa explica ainda outra vantagem da nova armadilha: “Por conta do seu baixo custo de produção, ela pode ser fabricada em diversos tamanhos. Até mesmo o seu funcionamento através da conexão a um computador via USB seria algo viável”.

A invenção já se encontra protegida por um pedido de patente realizado pela UFRJ junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). O próximo passo é buscar a inserção desta promissora tecnologia na cadeia produtiva. Atualmente a Agência UFRJ de Inovação está em busca de empresas interessadas em levar a armadilha para mosquito Aedes ao mercado para produzi-la em escala, permitindo que a população em geral possa usufruir do invento. Os interessados podem entrar em contato através do email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

 

AGÊNCIA UFRJ DE INOVAÇÃO
Rua Hélio de Almeida, s/n - Incubadora de Empresas - Prédio 2 (salas 25 a 29)
Cidade Universitária | Ilha do Fundão | Rio de Janeiro - RJ | 21941614
21 3733-1793 | 21 3733-1788

              facebook        linkedin
 twitter 
UFRJ Agência UFRJ de Inovação - PR2 - UFRJ
Desenvolvido por: TIC/UFRJ