modulosO Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

 

“Lira Itabirana” é um poema de 1984 assinado por Carlos Drummond de Andrade. Naquela época, um dos maiores nomes da literatura brasileira já criticava a cobiça por trás da mineração sem respeito ao meio ambiente e à comunidade. O poeta parecia prever os desastres ambientais e sociais que viriam a ocorrer 2015, em Mariana, e em 2019, em Brumadinho. Os dois casos chocaram o Brasil por conta da destruição provocada e pelos danos ambientais de magnitude incalculável.

Além da grande quantidade de desaparecidos e de tantas outras vidas perdidas, uma questão recorrente em desastres deste porte é a das pessoas que perdem suas moradias e acabam desabrigadas. Nestes momentos difíceis, as construções habitualmente adaptadas para servirem de abrigo aos que perderam suas casas são os ginásios, igrejas e escolas municipais. Ocorre que, não raramente, os desabrigados enfrentam problemas como superlotação, brigas e falta de privacidade, causando ainda mais desconforto justamente àqueles que já estão passando por árduas provações. Muito disso em função de se tratarem de locais improvisados às pressas para atenderem a estas demandas emergenciais.

Em 2013, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UFRJ, a então aluna Natália da Cunha Cidade defendia um trabalho final de graduação intitulado “Habitação Emergencial”, no qual apresentou um interessante e inovador projeto para abrigos temporários. Impossível não fazer uma associação com os lamentáveis efeitos destas recentes tragédias da mineração no Brasil.

O trabalho de Natália inova justamente quando propõe que os abrigos passem a adotar estruturas modulares que podem ser produzidas a um menor custo através do uso de materiais simples presentes na construção civil, tais quais tubos e conexões de PVC, juntamente a divisórias de náilon resinado para as vedações. Por conta do material utilizado, além da fácil estocagem – já que suas peças ficam guardadas como um "kit" –, as estruturas concebidas pela arquiteta podem ser montadas por mão de obra não-especializada, uma vez que se tratam de simples encaixes. Elas também possuem uma leveza muito maior, o que representa mais facilidade para o seu transporte. Desta forma, o projeto representa uma alternativa barata e prática para repensar os abrigos temporários.

Atualmente busca-se parcerias para que o projeto possa ser desenvolvido em larga escala. Os interessados podem entrar em contato através do email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

 

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